sábado, 6 de abril de 2013

Oferenda e o Meio Ambiente




A palavra ebó significa oferenda.
Fazer oferenda é abrir mão de alguma coisa antecipadamente.
Isto significa que a pessoa disposta a fazer uma oferenda de galo, dinheiro, roupas, alimentos ou até da própria transpiração (trabalho), sabe o significado de doação, restituição, bondade e agradecimento à vida pela vida.
 O contraditório é perceber que palavra oferenda lembra a quase todos somente uma galinha preta deixada na encruzilhada. Lembra “má-cumba”. Isso diminui o conceito de doação ao tamanho de qualquer coisa que cheira mal. Mas quando essas pessoas são ameaçadas de perderem seus empregos, namorados, maridos, espíritos que se alojam provocando doenças (que os médicos não curam) ou ao perceberem que suas empresas vão falir, todas abrem mão dos “pré-conceitos” e algumas até dos próprios sentimentos para alcançarem bênçãos dos Orixás. Dispostas a todas as provas espirituais, oferecem bodes, galinhas, porcos, vacas... Os “pré-conceitos” são apagados de suas memórias.
Isso denota que a nossa Tradição tem poder e que por isso tem se mantido, mesmo enfrentado essas situações adversas - o preconceito social.

Contudo, se não houver mudança no comportamento da maioria dos sacerdotes de nossos cultos, não se pode crer com absoluta certeza que a Tradição Yorùbá, o Candomblé e a Umbanda terão continuidade. Pois, a falta de respeito com os outros e com o Meio Ambiente parece de propósito.
A depredação que esses “supostos sacerdotes” vêm causando ao Meio Ambiente deixando suas oferendas e lixos, tudo no mesmo lugar; tocando má-cumba a noite toda; seguindo o dia tocando pagodes; incomodando vizinhos; afrontando a sociedade com seus maus costumes; aumentam os preconceitos contra a nossa cultura.
Hoje, dia 06/04/2013, eu mesmo vi, na Serra da Cantareira “um bode mal socado dentro de vários sacos plásticos, jogado no meio da estrada, impedido a passagem dos carros”. Isto não faz parte dos nossos costumes. Mas todos nós pagamos pelos desatinos e pala falta de entendimento do sistema tradicional da pessoa que não respeita os outros.
   O resultado desse tipo de “má-cumba” é péssimo. Nesse caso, também, quem paga o preço são os sacerdotes que agem corretamente. Pois, quem se dispôs a fazer a besteira ritualizada culpará a Tradição.

Quem tem compromisso com a Tradição não pode ficar calado diante dessas bandalheiras que apavoram a sociedade e a nós próprios. É um absurdo! Fiquei tão indignado que passei a achar ótimo que seja proibido o sacrifício animal para “má-cumba”. Estamos caminhando na contramão e não adianta pedir ajuda a esses “viciados em drogas de costumes amorais”.

Que os jovens envolvidos com Tradição Yorùbá, Candomblé e Umbanda, que em nome da Terra ou dos Ambientes da Terra, promovam mudança nesse sistema imprudente praticado por “pessoas malucas” em nome dos Orixás. Pois, a tradição que esses excêntricos propagam é contrária a todos os princípios divinos. Isto só pode ser fruto da má formação sacerdotal desses indivíduos toscos que, apressados como as galinhas d’Angolas, abriram barracões, iniciaram pessoas, compraram “títulos de Bàbálawo ou awo qualquer coisa” e se tornaram os donos de todas as verdades de nossa cultura. Mas, sequer, sabem rezar para seus próprios Orixás.
Tudo isto é vergonhoso para os sacerdotes, mas não para esses imbecis “iniciados espetaculosamente” e que transformam o pouco que sabem em armas perigosas contra eles próprios. Pois, quando abrem a boca para falar da tradição, todo o Meio Ambiente fica infectado com suas asneiras.
Oh, Orixás, perdoem-me!
Não posso deixar de ser antipático ao tratar desse assunto.
Falsos tradicionalistas, “tabajaras”, por favor, entendam os meus motivos: “meus dedos são tão ágeis quanto a minha língua e pensamento”.
Podem me chamar de maldito! Eu não ligo! “Tô nem aí!” Só espero que os jovens aprendam a cuidar de vocês muito bem. Que eles não permitam suas barbaridades, descasos com o Meio Ambiente e a poluição visual que causam também náuseas, com seus “ebós mal despachados” nas encruzilhadas, ruas e até do portão das casas.
 Esses falsos e indecentes sacerdotes não passam de indicadores de maus costumes sociais com títulos de sábios.
Se os nossos jovens conseguirem frear as más ações desses embusteiros, comprometo-me a chamá-los de Defensores da Tradição.
Eu? Aqui ou no além vou continuar a ser “o advogado do diabo”.

 Orlando J. Santos D’Ògún Dímòlòkò